31 de Dezembro de 2017

Auto de resistência, biopolítica e colonialidade: racismo como mecanismo de poderJuliana Moreira Streva

Sumário: 1. Introdução. 2. Auto de resistência: aparato administrativo da violência. 3. Racismo como mecanismo colonial-biopolítico de poder. 3.1. Separação espacial-geográfica: favela e o fazer morrer. 3.2. “Em defesa da sociedade”: discurso da proteção social e naturalização da violência. 4. Considerações finais. 5. Referências bibliográficas

Resumo: A polícia brasileira é a que mais mata no mundo e o principal alvo dessa violência letal é o corpo jovem, negro e pobre. A partir disso, o presente artigo buscará analisar  criticamente o instituto do “auto de resistência” – nome administrativo da execução sumária cometida pela polícia – por meio de uma metodologia decolonial e foucaultiana. Nesses termos, será argumentado que o racismo opera como mecanismo social de manutenção das  relações coloniais de poder no Brasil, mantendo a naturalização da violência, objetificação, discriminação e extermínio dos corpos negros até os dias de hoje.

Abstract: The brazilian police is the one that most kill in the world and the main target of this lethal violence is the young, poor and black male body. With this context in mind, this paper intends to critically analyze the “auto de resistência” – which is the administrative name given by the summary execution committed by police – through a decolonial and foucauldian methodology. This essay aims to argue that racism operates as a power mechanism to maintain colonial relations, through violence, objectification, discrimination and extermination of black bodies until nowadays.

Keywords: Summary execution – Extermination – Racism – Biopolitics – Coloniality.