É com imensa tristeza que o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) recebe a notícia do falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, a nossa querida Amelinha Teles, nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026.
Jornalista, escritora, feminista histórica e defensora incansável dos direitos humanos, Amelinha dedicou sua vida à luta pela democracia, pela memória e verdade e pelos direitos das mulheres. Presa política e vítima de graves violações de direitos humanos durante a ditadura militar, transformou sua própria história de resistência em uma atuação permanente contra a violência de Estado, o autoritarismo e as desigualdades.
Para o IBCCRIM, sua partida tem um significado especialmente doloroso. Amelinha faz parte da nossa história. Foi coordenadora do Núcleo de Pesquisas do Instituto e, ao longo de muitos anos, esteve conosco em projetos, cursos, debates e iniciativas voltadas à defesa dos direitos humanos e, especialmente, ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Em 2009, quando integrava o Núcleo de Pesquisas, já coordenava no IBCCRIM ações que aproximavam pesquisa, educação em direitos e atuação junto à sociedade civil.
Entre os maiores legados dessa trajetória compartilhada está o Projeto Maria, Marias, desenvolvido em parceria com a União de Mulheres de São Paulo. Idealizado e coordenado por Amelinha durante anos, o projeto formou mulheres para conhecer seus direitos, enfrentar situações de violência e multiplicar esse conhecimento em suas comunidades. Mais do que um curso, tornou-se um espaço de formação, acolhimento, autonomia e construção coletiva — profundamente marcado pela maneira como Amelinha compreendia a luta por direitos.
Sua atuação, porém, ultrapassa qualquer instituição. Amelinha foi uma das grandes referências do movimento feminista brasileiro, fundadora da União de Mulheres de São Paulo, integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e uma voz fundamental na luta por memória, verdade e justiça. Participou também das mobilizações de mulheres durante a Assembleia Nacional Constituinte, que contribuíram para a incorporação de direitos fundamentais à Constituição de 1988.
Ao longo de décadas, Amelinha fez da própria vida um compromisso com a democracia e com a transformação social. Para muitas gerações de mulheres, militantes, pesquisadoras, defensoras de direitos humanos e pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ela, deixa não apenas uma contribuição histórica, mas um exemplo de coragem, generosidade e persistência.
O IBCCRIM manifesta seu carinho e solidariedade à família, às companheiras da União de Mulheres de São Paulo, às amigas e aos amigos, e a todas as pessoas e movimentos que caminharam ao lado de Amelinha.
Nos despedimos com profunda tristeza e enorme gratidão. Amelinha permanece na história do IBCCRIM e, sobretudo, na história das lutas por democracia, justiça e direitos humanos no Brasil.