Monografia nº 27 - Cultura do Medo - Reflexões sobre Violência Criminal, Controle Social e Cidadania no Brasil

O medo é, neste estudo, o veículo que permite compreender algumas relações sociais no espaço e momento escolhidos. Mais do que isso, é um importante ingrediente cultural que, intencionalmente ou não, muda os valores de um grupo, aumentando ou diminuindo o grau de coesão entre os indivíduos. Nosso objetivo foi compreender como o medo, no caso associado à violência criminal, se tornou tão evidente no período democrático recente da história nacional e de que maneira ele interfere nas relações sociais e nas políticas públicas de segurança contemporâneas.

Verificamos que o medo e a insegurança não têm raízes diretas na criminalidade urbana. O medo se associa à criminalidade através de uma via simbólica. Ele surge de uma utilização político-ideológica da insegurança, e se solidifica em um ambiente de desorganização social, alienação e isolamento. Enfim, esta cultura do medo que observamos é a somatória dos valores, comportamentos e do senso comum que, associados à questão da violência criminal, reproduz a idéia hegemônica de insegurança e, com isso, perpetua uma forma de dominação autoritária que só subsiste com a degradação da sociabilidade e o enfraquecimento da cidadania.

Como citar:
PASTANA, Débora Regina. Cultura do medo: reflexões sobre violência criminal, controle social e cidadania no Brasil. São Paulo: IBCCRIM, 2003. 157 p. (Monografias, 27).

Esta obra encontra-se à disposição dos associados para consulta na Biblioteca do IBCCRIM

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